Fotografia © Teresa Jardim

Objeto-instalação de Jonathan Gil “A bicicleta” (2016) – integrado na exposição de artes visuais promovida, em 2016, no âmbito do Congresso Internacional HERBERTO HELDER – a vida inteira para fundar um poema, com a colaboração de alunos de Artes Visuais da Escola Secundária Francisco Franco, sob coordenação de Filipa Venâncio, Graça Berimbau, Lúcia Sousa e Teresa Jardim

 

ouverture _ pre.lú.di.o_Lugar Lugares HERBERTO HELDER  | Ana Salgueiro  brevemente

Evocação de Arquipélago (Funchal, 1952)
Texto de abertura de Arquipélago anotado| texto não assinado e supostamente coletivo [Aragão Correia, Carlos Cristóvão, Florival de Passos, Herberto Helder, Jorge Freitas, Rebelo de Quental, Rogério Correia, Silvério Pereira]   atualizado
 Notícias da arquitetura e da receção de Arquipélago no Funchal | Ana Salgueiro brevemente

Resumo:  Em outubro de 1952, a pequena editora Eco do Funchal publicava a antologia Arquipélago, reunindo poemas de oito autores pertencentes a gerações bem distintas e cujas poéticas assumiam orientações igualmente diversas: Aragão Correia, Carlos Cristóvão, Florival de Passos, Herberto Helder, Jorge Freitas, Rebelo de Quental, Rogério Correia e Silvério Pereira. Tratava-se do primeiro livro (antológico e coletivo) de Herberto Helder, resultante da partilha/discussão de experiências literárias e culturais no âmbito da que ficou designada como Tertúlia do Ritz. Não ignorando o caráter errante que autores como Ilda Mendes dos Santos e Daniel Rodrigues identificam na poética de Herberto Helder, ou o caráter transbordante, contínuo e continuado que, circulatoriamente, liga e refaz os vários livros/textos do autor, leitura seguida por, entre outros, Rosa Maria Martelo, propomos, aqui, a revisitação desse primeiro projeto editorial de Herberto Helder, procurando princípios de respostas para três questões: (1) o que foi Arquipélago, projeto ainda hoje ignorado na investigação que se faz sobre o sistema cultural da Madeira, mas também quase esquecido na bibliografia do e sobre o autor? (2) qual o papel de Helder em Arquipélago e de que modo esta sua participação se pode relacionar com outros projetos em que colaborou nesse período (p. ex.: Poemas bestiais de 1954; ou o nunca publicado opúsculo «Anti-Arquipélago», assinado por Herberto Helder e Jorge de Freitas, que em nota manuscrita de 27.12.1952 afirma que o “original estava pronto”); e (3) em que medida a revisitação do trabalho literário e de dinamização cultural promovido por Herberto, na Madeira, na década de 1950, se pode relacionar com a sua obra posterior e, particularmente, nos permite rever a sua complexa relação com o sistema cultural insular?
Em êxodo (Coimbra, 1961)
Ofício de Poeta | Herberto Helder  atualizado
“Serão os poetas as pessoas mais indicadas para falar de poesia? São eles decerto os que mais aptamente nos contarão do ofício dos poemas, como melhor falará de casas um arquitecto, e de agricultura um agricultor. Os mil e um segredos de oficina são a chave de cada profissão e são coisas que se acumulam nas tortuosidades e dificuldades de uma atenta e comprida experiência […]” 
Ensaios de Leitura(s)
 Que poder de ensino o destas coisas quando em idioma |  Luís Maffei (NEPA, UFF)  atualizado

“[…] As escolas no poema, da “leveza” e da “laranja”, são escolas com “l”; ambas, foneticamente falando, começam com uma consoante lateral alveolar vozeada, também presente na sílaba final de “escola”. Uma descrição fonética que fala alvéolo se poderia encontrar com o gosto herbertiano pela nomeação de partes pequenas do corpo, os próprios “alvéolos” do extinto (?) Cobra (Helder, 2004: 329), ou as “falangetas”, umas também do livro de 1977 — “Senti nas falangetas o leite manso e a madeira alumiada/ pelos poros ferozes” —, outras do já vindo A faca não corta o fogo (Helder, 2014: 607): “bic cristal preta doendo nas falangetas,/ papel sobre a mesa/ a luz que vibra por cima, por baixo/ a cadeira eléctrica que vibra”, choques, transas radicais, intrínsecas, da pequena coisa do pequeno corpo com o mundo. […]”

Acção, Poema | Rosa Maria Martelo  (ILCML, FLUP) atualizado

Acção, poema. Herberto Helder juntou
 os dois termos no título de um dos seus primeiros livros: Poemacto (1961), acto poético. E a palavra actor surgia no interior dessa obra como sinónimo de poeta: “Ninguém ama o teatro essencial como o actor”, o “teatro geral”. Estava-se nos anos sessenta e era muito grande o fascínio exercido pelo poder demiúrgico da poesia na sua capacidade de criar verbalmente um Lugar (título de outro livro, de 1962). No poema que estou a referir, o terceiro de Poemacto, a palavra actor lia-se literalmente, designava de maneira muito lata aquele que age, faz, surgia como sinónimo de criador, remetia para um ser radicalmente actuante sobre a matéria do mundo, alguém que não hesitava em medir-se com Deus. […]”

polaroide |  Diana Pimentel (UMa-CIERL, FAH-UMa) atualizado
Unanimemente considerado um autor singular porque “difícil, hermético, obscuro”, nas palavras de Fernando Pinto do Amaral (1988: 137), torna-se necessário que se clarifique a natureza da dificuldade que afecta a leitura dos textos herbertianos. Uma das possíveis respostas a esta singularidade é, para Joaquim Manuel Magalhães, a sua não adequação a categorias pré-definidas, por excederem e não se conformarem a limites interpretativos: “Dizer dele difícil é dizer dele mais vasto do que qualquer categoria de clarificação […]. É preciso um excesso que só além da partilha se pode jogar” (MAGALHÃES, 1981: 135). […]”
[o] “espaço que o corpo soma quando se move” | Daniel Rodrigues (CELIS/ UCA) atualizado
Resumo: Se um fio de Ariadne atravessasse os poemas completos helderianos, este seria constituído de certas estruturas dos passos em volta. Isto é, o que aqui se tenta esboçar é como, o sistema de reenvio a textos anteriores, os ecos entre textos e a presença marcada de traços relacionados à biografia de Herberto Helder criam a ilusão de “grand tour” que aprisiona a leitura dos poemas completos num estranho pacto autobiográfico.
Os trabalhos da morte de Herberto Helder: uma poética da (de)composição | Paulo Braz (UFF) atualizado

Resumo: Este ensaio pretende discutir as relações entre trabalho e morte na poesia de Herberto Helder. Com o auxílio da ideia de escrita como servidão (que o próprio autor sugere por meio do título de um de seus livros), este texto busca também identificar uma poética da (de)composição herbertiana, a partir da observação da tensa dinâmica entre vida e obra no contexto da modernidade.

«Morrer para a frente» – Um infinito poético (leituras cruzadas entre Helder, Foucault e Blanchot) | Raquel Gonçalves (UMa-CIERL, FLUC) atualizado
 Se em A Morte Sem Mestre, e nos últimos livros de Herberto Helder, como Servidões, Poemas Canhotos e Letra Aberta, se intensifica uma aproximação à mortal/idade, aqui entendida como morte física da mão e do corpo que escreve o poema, a verdade é que, praticamente desde o momento inicial da sua escrita, a ideia de e sobre a morte, em diversas formulações, perpassa toda a obra de Herberto Helder como conjugação contínua, como pulsão poética, ou idiomática, porquanto, nas “costuras” das “gramáticas inventadas tortas” (HELDER, 2014: 680), desde os anos 60 (situo-me em Lugar), Herberto inscreve na sua poesia a “Morte ao/meio como alta desarmonia” no “centro do retrato” (“retratíssimo ou narração de um homem depois de maio”, de Lugar,  HELDER, 2014: 180). […]”
APAGAMENTOS de Herberto Helder | Pedro Eiras (ILCML, FLUP)  atualizado
“De que é que Rimbaud estava à espera para mostrar o seu modo implacável de fugir de casa? Apareceu, sim senhores, mas exactamente quando já desaparecia. É assim que se está a ver a história da «aventura espiritual da poesia no Ocidente»: Rimbaud deu dois exemplos, e o segundo anulava o primeiro. Quando as pessoas chegaram ao primeiro, acharam-no bom e ficaram nele. Então esqueceram que havia o segundo. Este último cancelava as iluminações ou as épocas no inferno (tanto faz) como um «erro». O silêncio é que deveria ter sido o ponto de partida para a experiência espiritual da modernidade.”    (Herberto Helder, Photomaton & Vox)
Antropofagias Contemporâneas
 Ensaio Musical
Eu jogo, eu juro|Joana Machado & Abe Rábade [a partir de “Poemacto I”] atualizado
Ensaios Visuais
LENTA DIFÍCIL POESIA. “A Ascensão dos Hipopótamos” (1965) de Herberto Helder |  Patrícia Lino (University of California)  atualizado
 Ou o poema (des)contínuo |  Hélder Folgado (Porta 33) atualizado
Diálogos
Jovens Criadores Insulares, leitores impuros de HHAlice Fernandes, Beatriz Freitas, Daniel de Jesus, Isabel Correia, Jonathan Gil, Laura Moniz, Margarida Moura, Patrícia Soares, Tiago Nóia, Vanessa Silva, sob coordenação de Teresa Jardim e com o apoio da Escola Secundária Francisco Franco (Funchal) atualizado
 Os Passos em Volta de Mariana Viana [entrevista] | Maria Fernandes e Mariana Viana atualizado
 Estudos Herberto Helder | Publicações Recentes & Sugestões de Leitura  atualizado
Outro ARCHiPELAGOS | passagens  de Amélia Muge & Michales Loukovikas  

ARCHiPELAGOS / passages -Teatro São Luiz (Lisboa), rehearsal 28-11-2017  atualizado

 «There are sounds of distinct worlds and times, that no matter how “live and must live together”» (Sibila Lind, ípsilon-Público, 29.11.2017)
Outro ARCHiPELAGOS | Passagens – Translocalidades Culturais e Interartes. Entrevista [comentada] a Amélia Muge e Michales Loukovikas por Mariana Camacho e Ana Salgueiro atualizado
A coordenação da revista TRANSLOCAL agradece a todos os autores que amavelmente aceitaram colaborar neste LUGAR LUGARES HERBERTO HELDER, assim como a: (1) o Núcleo de Estudos Herberto Helder do UMa-CIERL, pela mediação que estabeleceu entre os editores da revista e alguns dos autores que aqui publicam: (2) a Biblioteca Municipal do Funchal e o Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, instituições que permitiram o acesso a alguma da documentação relevante para se compreender a receção, no Funchal, de alguns projetos de Herberto Helder na fase inicial do seu trabalho literário e de dinamização cultural; (3) Olga Lima, viúva de Herberto Helder, pela cedência de autorização para publicarmos “Ofício de Poeta”,  pelas sugestões e pelo atento acompanhamento do trabalho de edição deste número especial dedicado ao poeta nascido no Funchal a 23.11.1930.