Imagem de Capa © Filipe Silva 

“Oceano pessoal e intocável” (2019) | Pintura integrada na Exposição Um modo de construir jangadas | Galeria dos Prazeres, Madeira [Óleo e lixívia sobre lona. Fotografia por Martinho Mendes]

Coordenação  | Ana Salgueiro

Convite à publicação e normas de edição aqui

Data limite para receção de propostas para publicação | 15 Jul. 2019  31 jul. 2019  nova data

 
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 ouverture _ pre.lú.di.o  | Ana Salgueiro 

 ENSAIOS VISUAIS| VISUAL ESSAYS
 Extra pack: um baralho de 9 cartas | Pedro Eiras (ILCML, FLUP)
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 Património do Estado | José Zyberchema
ARTIGOS | ARTICLES  

Avaliação da Vulnerabilidade Social aos Perigos Naturais, Tecnológicos e Biológicos no Concelho do Funchal (Região Autónoma da Madeira) | V. Nuno Martins (Disaster Research Center, University of Delaware)

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DIÁLOGOS |  DIALOGUES
Em defesa da leitura: o projeto A LER | Sandro Nóbrega 
 
Nos anos letivos de 2017-2018 e 2018-2019, a Direção Regional da Educação (DRE) da Região Autónoma da Madeira (RAM) acolheu o projeto A LER, cujo objetivo central era referenciado de forma simples e direta, mas não inocente: fazer com que os jovens e as escolas leiam mais e melhor, proporcionando atividades de leitura em voz alta que permitissem uma melhor compreensão e interpretação do texto literário e enriquecendo as competências leitoras dos jovens no que a esta prática leitora diz respeito. O presente texto procura dar testemunho do que foi o projeto A LER, partilhando alguns dos seus resultados.
OLHARES CRUZADOS |  CROSSED  VIEWS
Galeria dos Prazeres … um modo de construir jangadas
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Fragmentos de… Um Modo de Construir Jangadas | Filipe Silva e Martinho Mendes
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Ensaio sobre Um Modo de Construir Jangadas. O ato de coragem de um náufrago | Maria Almeida Cunha Alegre
 
“A pintura de Filipe Silva é uma extensão dele. Do nada o artista faz pintura.  Os materiais que este utiliza, desde o óleo, ás ecolines, passando pelos lápis coloridos ou barras de óleo são, de facto, a extensão de si, da sua mão e do seu corpo. As pinturas apresentadas no âmbito desta exposição remetem para a ideia de naufrago: o espectador é convidado a “estar á deriva” por entre ilhas pintadas nas lonas, perdido no mundo do artista. Através das obras que nos são apresentadas, o artista convoca a água, a coragem e a meditação, através de objetos ricos em cores e pensamentos. O trabalho do autor marca a passagem do tempo e de uma memória. A memória de um náufrago que se perdeu. O mesmo faz um caminho sem percurso. Não sabe o seu destino. As ilhas flutuam em manchas que se debruçam no papel e nos tecidos. […]”
Galeria dos Prazeres: dinâmicas culturais de um espaço contemporâneo no meio rural | Martinho Mendes (Galeria dos Prazeres; Museu de Arte Sacra do Funchal; UMa-CIERL)
SUGESTÕES DE LEITURA  |  BOOK REVIEWS
Paulo Miguel Rodrigues (2019), Teatro Municipal de Baltazar Dias. 130  anos sobre o palco, Funchal: Imprensa Académica – Recensão Crítica de Nelson Veríssimo
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Dossier Temático:  

LITERATURA, CINEMA & OUTRAS ARTES

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A Madeira como espaço cinematográfico |  Ana Paula Almeida (UMa-CIERL, Casa-Museu Frederico de Freitas)
 
Resumo: A Madeira foi, curiosamente, desde muito cedo, um espaço cinematográfico. Os primeiros filmes realizados na Ilha (por locais, nacionais e estrangeiros), à semelhança do resto da Europa, foram registos documentais e estão normalmente relacionados com a Madeira enquanto atração turística. Os estrangeiros, em férias ou de passagem breve, fizeram filmagens da Ilha e da sua gente. Nestas películas, a Madeira é vista como uma Ilha paradisíaca, destacando-se, por exemplo, a beleza da paisagem e o clima ameno ou, contrariamente, com um olhar crítico, referindo-se a pobreza, o isolamento e o subdesenvolvimento.
Às primeiras produtoras inteiramente regionais, a Madeira Film (1922) e a Empresa Cinegráfica Atlântida (1924), esteve associado o nome de Manuel Luiz Vieira. Estas produziram diferentes tipos de fitas: filmes de reportagem, películas sobre os costumes e vistas da Ilha e média-metragens de enredo.
 
 
As Estrelas de Cinema no Neo-Realismo | Leonor Areal (ICNOVA-FCSH; ESAD.CR – IPLeiria)  
   

Resumo: Nos anos 40 do século XX, o surgimento do cinema neorrealista veio pôr em causa alguns dos pressupostos do cinema de ilusão de matriz hollywoodiana, cujas estrelas de cinema imperavam nos ecos da imprensa cinematográfica, muito desenvolvida nessa era do auge do cinema clássico. Assim, surgem numerosos filmes que procuram a autenticidade na utilização de não-actores, traço marcante que se torna símbolo dessa revolução na linguagem do cinema. Todavia, não podemos inferir daí que o neorrealismo abandonou o sistema do estrelato (que Edgar Morin viria a descrever). As estrelas de cinema coexistiram com as estrelas menores e continuaram a dominar o cinema de massas, até hoje. Este artigo procura equacionar essa polaridade na época do seu surgimento e, em particular, as suas repercussões no pequeno universo do cinema português.

Palavras-chave: estrelas de cinema, revistas, star system, neorrealismo, Manuel Guimarães

 
   
Mais que breve nota sobre o cinema literário português (do meu caderno de apontamentos) | Patrícia Lino (University of California)
 
   
“É possível falar de uma literatura/ fílmica em Portugal? A pertinên-/cia da pergunta parte do número/ de filmes portugueses inspirados/ em obras literárias, portuguesas ou/ não, que, por ser tão alto e cons-/ tante, não podemos ignorar […]  
   
   
Educação, Cinema e Redes Sociais: um olhar a partir do Plano Nacional de CinemaJoão Paulo Pinto (CIAC – Universidade do Algarve, LE@D – Universidade Aberta), Teresa Cardoso (LE@D – Universidade Aberta), Ana Isabel Soares (CIAC – Universidade do Algarve)  
   

Resumo: Considerando a relação do cinema com a educação no contexto das redes sociais, o presente texto constitui-se como uma reflexão teórica em torno da tríade Educação/Cinema/Redes Sociais, no contexto de uma investigação doutoral em curso sobre a iniciativa governamental Plano Nacional de Cinema (PNC). A revolução tecnológica fez emergir uma sociedade em rede, em queas pessoas se vêem como cidadãos ativos, construtores de interações e conteúdos, e não apenas como consumidores passivos de uma cultura criada pelos outros. O cinema, enquanto arte audiovisual, sempre assumiu um papel educacional na sociedade, mas encontra agora novas possibilidades e caminhos para intervir, contando com públicos participativos, que, além de recetores, podem ser produtores de conteúdos audiovisuais no seu quotidiano. As novas formas de viver o cinema influenciam as atividades desenvolvidas pelo PNC e reforçam os seus objetivos educacionais. Este texto pretende ser um ponto de partida para o enquadramento teórico de uma investigação que visa compreender de que modo a referida iniciativa governamental tem feito uso das redes sociais digitais online, e contribuir para a consolidação do conhecimento científico sobre as áreas da Educação, do Cinema e das Redes Sociais.

Palavras-chave: Educação, Cinema, Redes Sociais, Plano Nacional de Cinema (PNC), Literacia dos Média.

 
   
Aspectos da projeção social do cinema no Teatro Municipal do Funchal (1928-1938) | Paulo Miguel Rodrigues (UMa-CIERL, CIEC-UC)  
   

Resumo: O início da utilização regular do Teatro Municipal do Funchal enquanto sala cinematográfica teve lugar em finais de 1927 e coincidiu com a concessão da exploração do espaço a privados. Na verdade, foi a afirmação e o desenvolvimento da 7ª Arte que promoveu (resumiu?) tal interesse empresarial. O presente texto – que se deve entender no âmbito de uma investigação ainda em curso – tem três objectivos: (1) tentar aferir alguns dos aspectos e das características da realidade cinematográfica funchalense e, em particular, daquela que se projectou no então Teatro Municipal Dr. Manuel de Arriaga (TMMA), quanto aos géneros mais requisitados (uma dimensão descritiva, que permita criar uma base dados, com informação estatística, indicando, entre outros dados, a origem das fitas, as produtoras, os actores protagonistas e os realizadores); (2) a partir desta base, tentar perceber se a realidade do TMMA foi, por um lado, específica no quadro madeirense, e, por outro, o que dela se pode deduzir, quando comparada com outros centros (portugueses e europeus), tendo em consideração o que a caraterizou em diferentes momentos e/ou fases; (3) por último (mas na verdade o cerne da nossa investigação) tentar concluir sobre a projecção social da realidade cinematográfica apresentada no TMMA, isto é, por um lado, o que podem revelar (os filmes apresentados) sobre o público e a elite madeirense (e as suas eventuais expectativas e desejos cinematográficos) e, por outro, a partir do projectado, que influências transitaram (de um modo consciente ou não) para a sociedade funchalense/madeirense (ou que se pretendeu que transitassem).

 
   
Tresleituras cinematográficas: o caso da receção de O Fauno das Montanhas de Manuel Luiz Vieira | Ana Salgueiro (CECC-UCP, UMa-CIERL)  

Resumo: A 8 de maio de 1926, o Diário de Notícia da Madeira publicava a notícia intitulada “Cinematografia madeirense. Nova produção da Empreza Atlântida”, informando que “esta Empreza, de hábil direcção do sr. Manuel Luiz Vieira, est[ava] confecionando um novo film” de ficção com título O Fauno das Montanhas, cuja “acção, na sua maior parte [se passava] no Rabaçal, onde fo[ra] já feita a respetiva filmagem que durou quatro dias”. A tónica colocada no espaço cénico e de rodagem deste film madeirense, viria a assumir especial relevância na receção que colheu quer na ilha, quer em outros contextos nacionais e internacionais por onde circulou. Embora referindo o bom desempenho dos atores amadores, a extrema qualidade do trabalho de fotografia de Manuel Luiz Vieira, os gráceis “bailados das ninfas em redor do «Fauno»” e do facto de “o seu entrecho não se[r] o daqueles dramalhões sugestivos”, as inúmeras críticas publicadas na imprensa regional após a estreia, no Teatro-Circo, de O Fauno das Montanhas em maio de 1927, destacavam a representação paisagística da Madeira (muito útil à sua propaganda turística), nas “scenas de um sugestivo encanto nas matas exuberantes do Rabaçal, a mais formosa estância da nossa ilha”. Procuraremos demonstrar como esta leitura do film (até hoje ainda por analisar em profundidade), claramente vinculada a um registo cinematográfico paisagístico anteriormente realizado por Vieira na produtora Madeira Film, Ltdª, ignora os cruzamentos intersemióticos que o tecem, a inscrição que nele é feito quer do literário, quer do musical e do performativo, ou até o perfil autodidata deste enigmático realizador madeirense, dotado de uma cultura (cinematográfica) que em muito ultrapassou as fronteiras da ilha e de Portugal, assim como a cinefilia ‘tipicamente portuguesa’, a que muitas vezes surge associado.

Palavras-chave: Manuel Luiz Vieira; cinema mudo; fauno; literatura/artes; propaganda turística; Madeira.

 
   
 Estética cinemática da paisagem: filmes de rocha, água e solidão | Carlos Valente (CIEBA – UL; UMa-CIERL)  

Resumo: No presente trabalho, pretende-se debater a potencialidade expressiva da paisagem insular enquanto objeto fílmico. A geografia madeirense, aqui desdobrada em dois filmes, pressupõe uma insularidade balizada pela linha costeira, onde a terra se submerge e predomina a vastidão do mar.  O objeto desta análise reside na comparação de duas obras audiovisuais realizadas na Madeira, separadas por quase 50 anos: um filme de longa-metragem (As ilhas encantadas, de Carlos Vilardebó, 1966), rodado no Porto Santo e uma curta-metragem em vídeo, (Insula, de Vasco Araújo, 2010), rodada na Madeira. Em ambos encontramos uma paisagem demarcada pela fluidez oceânica; e em ambos a narrativa do naufrágio: consumado num dos filmes e eminente no outro. Cada filme, do seu modo, explora a impotência do ser humano perante o misto, paradoxal, de imensidão e clausura que o rodeia. Concordamos com John Wylei, quando questiona o poder da representação cinemática, enquanto potenciadora da “embeddedness and interconnectivity of self, body, knowledge and land” (Wylie, 2007: 2). Este pressuposto teórico situa a paisagem insular numa construção fílmica do imaginário, que nos dá a ver o sujeito, isolado num espaço inóspito. A ilha assume, nos filmes aqui abordados, o estatuto de lugar-nenhum, ao serviço de uma reflexão cinematográfica acerca da condição humana.