Imagem de capa © Martinho Mendes
“Uma pedra derruba a orquídea-da-festa (Cymbidium Tracyanum)” – 2018  [papel pintado, vimes, arame, planta natural, vaso de cerâmica madeirense e terra vegetal. Dimensões variáveis – instalação integrada na exposição Geografia do Risco, Sismógrafo, Porto]
Coordenação  | Ana Salgueiro (UMa-CIERL) & Nuno Marques (Umeå University)
Convite à publicação em Português  aqui    [normas de edição]   data limite: 2020.11.30
Call for publication in English  here   [authors guidelines]  deadline: 2020.11.30
ouverture _ pre.lú.di.o  | Ana Salgueiro & Nuno Marques
ENSAIOS VISUAIS | VISUAL ESSAYS
casas da fazenda do porto santo | José Campinho  [23.06.2020 – 20.11.2020]
As casas da fazenda da Ilha do Porto Santo ilustram bem a relação de complementaridade entre a ação do Homem e o respeito pelo meio natural. São construções precárias de apoio à atividade agrícola tradicional, erguidas com materiais reaproveitados. Representam com simplicidade e engenho criativo os valores defendidos pelo Programa MaB – O Homem e a Biosfera da UNESCO. Este ensaio visual procura chamar a atenção para estas construções precárias e os valores locais que promovem esta forma de habitação do espaço insular, sinalizando também a integração, em 2020, do Porto Santo na rede mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO.
Cinco assoalhadas ou cinco depoimentos sobre cinco pinturas  Filipa Venâncio  [30.11.2020 –  28.12.2020]
Este ensaio visual propõe fazer coabitar cinco pinturas provenientes de cinco exposições individuais desenvolvidas entre 2007 e 2018. Não foram pensadas para serem apresentadas juntas, mas assumem possibilidades de vizinhança que as podem fazer conviver assim, lado a lado. Encaixam-se naquele que é o meu território de investigação na pintura: uma  certa compulsão por casas, por projetos que problematizam uma certa ideia de espaço e de lugar,  interior ou exterior, existente ou já  demolido; o apelo por volumetrias arquitetónicas, simultaneamente desniveladas, complexas, labirínticas, impossíveis de habitar e de descrever e/ou construções simples, sofisticadas, com anexos, recantos, passagens, alpendres e sacadas; vazias, recheadas, despojadas ou repletas de objetos e detalhes insignificantes  ou valiosos e o puro exercício da pintura, a atração cada vez maior pela cor do cimento e a inapelável necessidade de perseguir e apropriar a pele das paredes, camada sobre camada, tela sobre tela, em narrativas enviesadas ou não; um interesse em explorar a multiplicidade de um assunto até à exaustão, através de processos de criação que envolvem a narratividade, a revisitação, a apropriação, a descontextualização e a desconstrução, aliadas à ironia e ao humor.
 
Habitar a céu aberto: vestígios de um país | João Gomes de Abreu, Margarida Carvalho e Museu da Paisagem    [30.11.2020 – em edição]
A exposição Habitar a céu aberto: vestígios de um país, de João Gomes de Abreu, nasce da viagem que o autor realizou durante vinte dias, no verão de 2019, durante a qual, em ritmo intenso, sempre com pernoitas no carro ou em tenda, percorreu um itinerário ao longo do território português com a extensão de seis mil quilómetros, que corresponde à distância entre os extremos ocidental e oriental do continente europeu, do Cabo da Roca aos Montes Urais, na Rússia. O desenho desta linha sobre o território português foi realizado pelo fotógrafo Duarte Belo, pelo que a viagem de João Gomes de Abreu é traçada a partir de um diálogo e de uma colaboração criativa entre os dois autores, dando igualmente origem ao livro conjunto Viagem Maior, publicado pela editora Museu da Paisagem, em dezembro de 2020. “Habitar a céu aberto: vestígios de um país”, através da fotografia de João Gomes de Abreu e do texto de Margarida Carvalho, conduz-nos até essa(s) viagem(s) e até esses vestígios de um país (des)habitado.
 
ENSAIOS | ESSAYS
 
Seduction, Promises and the Disneyfication of Barbuda post Irma Sophia Perdikaris (University of Nebraska-Lincoln), Rebecca Boger (City University of New York), Emira Ibrahimpasic (University of Nebraska-Lincoln)  [09.11.2020 –  03.01.2021]
Abstract: Under the guise of post-hurricane development, the national government of Antigua and Barbuda exploited the disasterscape of post Hurricane Irma Barbuda to usher in a new wave of economic development that has left Barbudans separated from their unique culture and identity. In this article we explore what are inhabited vs. uninhabited spaces, the effects of Colonial Christian ideas on cultivated vs. uncultivated lands and the effects of capitalist seduction to traditional landscapes and seascapes. We argue that this neocolonial approach to traditional lifeways increases vulnerability of both people and environment. By wiping out diversity and culture in order to replace it with acultural, Disneyfied landscapes serving outside interests and furthering the divide between rich and poor through the singular economy of tourism, it pushes local people into a new slavery through dependence and servitude.  

Keywords: Barbuda, Disaster Capitalism, Disneyfication, Cultural Heritage, Uninhabited Spaces

 
 
ARTIGOS |  ARTICLES
The Atopic Arctic in Lost Worlds Novels | Maria Lindgren Leavenworth  (Umea University)    [30.11.2020 –  16.01.2021]
Abstract: The article examines two Lost World novels that depict the discovery of a civilization beneath the North Pole: William R. Bradshaw’s The Goddess of Atvatabar (1892), and Mary E. Bradley Lane’s Mizora: A Prophecy (1889). While previous criticism has focused on he imagined lands and the contrasts it provides with which to criticize or negotiate structures in the real world, this article addresses the brief sections in each novel that describe the travelers’ journeys through the Arctic. Siobhan Carroll’s definition of atopic spaces in An Empire of Air and Water (2015) is a point of departure for examining the function of the arctic landscape. “Atopias,” she writes, are “‘real’ natural regions falling within the scope of contemporary human mobility, which, because of their intangibility, inhospitality, or inaccessibility, cannot be converted into the locations of affective habitation known as ‘place’” (6). In contrast to the nowhere of the utopia, atopias are reachable but situated in both literal and figurative peripheries, and they are commonly only visited temporarily. The atopic Arctic resists visitors’ attempts to control, structure and colonize, disorients both the visitor and the outsider’s perceptions and functions in both novels as a space of transition between real and imagined. 

Keywords: The Goddess of Atvatabar, Mizora: A Prophecy, Arctic, atopia, lost worlds

DIÁLOGOS  | DIALOGUES
 
qualquer coisa de intermédio  |  Catarina Botelho    [30.11.2020 – 27.12.2020]
Resumo: qualquer coisa de intermédio”  apresenta um ensaio fotográfico realizado nos baldios limítrofes de Barcelona durante o ano de 2019. O baldio é um espaço sem regras ou vigilância,  onde existências invisibilizadas,  que não encontram lugar na cidade construida,  criam mundos próprios. No Manifesto da Terceira Paisagem, Gilles Clement define estes sítios, como lugares  em transição, entre duas ordens, uma que já terminou e outra que há-de vir, espaços que não são a luz nem a sombra, que não são o poder nem a submissão ao poder. Nas fotografias deste ensaio encontramos os indícios daquilo que aí ocorre.  Vemos os rastos das  actividades não mercantilizáveis, ou  que são consideradas ilícitas e/ou ilegais: zonas de convívio a céu aberto, onde se bebe em grupo, hortas, trabalho sexual,  casas improvisadas, campos de jogos precários, espaços de encontro sexual ou lugares de uso recreativo ou outro de drogas. Presenças  que se materializam em vestígios, ocupações ou construções. Algumas com funções práticas reconhecíveis, outras, enigmáticos jogos de materiais dispostos no espaço. Gestos de apropriação, de criação, de organização de mundo,  que  habitam os baldios.
Abstract: “qualquer coisa de intermédio”/”something in between” includes a photo essay carried out in the wastelands of Barcelona during 2019. The wasteland is a space without rules or surveillance, where existences made invisible, that do not find a place in the city, create worlds of their own.  In the manifesto of the third landscape Gilles Clement defines these spaces as places in transition, between two orders, one that has already ended and the other that will come, spaces that are neither light nor shadow, that are neither power nor submission to power. In the photographs of this essay we find the indications of the activities that take place there, because due to their own characteristics are not profitable/merchantable, or are considered illicit and/or illegal: open-air social areas, places where groups of people drink, vegetable gardens, sex work, makeshift houses, precarious playgrounds, spaces for sexual encounter or places for recreational or other kind of drug use.   Presences that materialize in remains, occupations or constructions. Some with recognizable practical functions, others, enigmatic games of materials.  Gestures of appropriation, of creation, of world organization that  inhabit the wastelands.
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Written with lightning: filming Barbuda before de storm  |  Russell Leigh Sharman (University of Arkansas; Fauetteville Film Fest)   [09.11.2020 – 02.01.2021]
Abstract: In June of 2014, I travelled to the island of Barbuda with Cheryl Harris Sharman to document and film the traditional foodways of the people of the island. We gathered more than 25 hours of footage from farmers, ranchers, hunters, fishermen, shop keepers and educators. The narrative that formed throughout those hours of interviews was one of deep conviction over the traditional subsistence autonomy of the island and the growing threat to sustainability from over-development and state intervention. And that was before the hurricane in 2017 that decimated the island and drove every last inhabitant from its shores. Now, as residents attempt to return and rebuild, those corporate and government forces are an even greater threat to their tradition of sustainable practices. This chapter places that new reality in the context of life before the storm, in the words of the farmers, fishermen and shop keepers themselves.
Uma paisagem íntima, (des)habitável: algumas notas sobre As Casas dos Outros  |  João Duarte e Rita Onofre    [09.11.2020 – em edição]
As Casas dos Outros é composto por diferentes espaços. Primeiro, espaço-livro e, depois, espaço-filme. Do espaço-livro, habitado pelas palavras de Maria Esmeralda Mendes, pintora e escritora prolífica algures esquecida, e publicado em 1988 pela lendária editora &etc de Vítor Silva Tavares, pode dizer-se que ecoam duas vozes: a voz da escritora e a voz da narradora.  Do espaço-filme, num gesto semelhante, as palavras habitam a casa pela voz da realizadora Rita Onofre que lê parte de As Casas dos Outros, mas também por via das imagens. Foi por acaso que o livro de Maria Esmeralda Mendes lhe veio parar às mãos, numa visita à “Ler Devagar”, livraria e espaço de leitura e convívio em Alcântara (Lisboa). Desse encontro resulta um filme com o mesmo nome, baseado num excerto do livro.
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0LHARES CRUZADOS | CROSSED VIEWS __  ESPAÇO 116  [FUNCHAL]
 
 
 
SUGESTÕES DE LEITURA |  BOOK REVIEWS
 
Carlos FORTUNA (2020), Cidades e UrbanidadesCoimbra: ISC. Duarte BELO (2020), Depois da estrada, Lisboa: Museu da Paisagem.