Imagem de capa © Tatiana Teixeira

“Terra – Espaços de Transcendência” – 2019 [fotografia manipulada digitalmente]
 
Coordenação  | Ana Salgueiro (UMa-CIERL/CECC-UCP) 
 
Convite à publicação e normas de edição aqui 
 
Data limite para receção de propostas para publicação30 jun. 2020  15 ago. 2020 nova data
Ouverture _ pre.lú.di.o  | Ana Salgueiro
ENSAIOS VISUAIS| VISUAL ESSAYS
Terra – espaços de transcendência | Tatiana Teixeira com Miguel Santos [15.09.2020] 
“Terra – espaços de transcendência” pertence a um conjunto de estudos criados com base na análise do poema “As ilhas Afortunadas” do livro Mensagem, de Fernando Pessoa. Este poema suscitou o meu interesse pois como Pessoa escreve “são ilhas afortunadas, são terras sem lugar”; como poderia eu criar uma terra sem lugar? […]”

No meio do caminho tinha uma perda-pedra. Luminu. História de uma colheita|  Martinho Mendes com Joana Sousa e Ana Salgueiro [31.08.2020] 
Se, como ensina a Física, não há sombra sem luz, nem há morte sem vida (considerações cuja inversão quiasmática é igualmente válida, pese embora a tendência humana para esquecer a aporia de que a luz cria sombra e de que a vida cria morte), a instalação site specific intitulada Luminu. História de uma colheita, que Martinho Mendes concebeu por ocasião do 10.º aniversário da catástrofe que se abateu sobre a Madeira a 20 de fevereiro de 2010 (trabalho artístico desenhado para a Capela de Nossa Senhora da Oliveira no Funchal, nome que o habitus comunitário posteriormente alterou para Capela da Boa Viagem) pode ser lida como exercício de reflexão crítica e de reconstrução de memória coletiva sobre esse evento traumático, em que o discurso criativo do artista, enfrentando sombras, fantasmas, relíquias e memórias do que já não se encontra corporeamente vivo entre nós, quis analisar e discutir essas (e outras) dualidades aparentemente paradoxais: a luz cria sombra e não há sombra sem luz; a vida cria morte e não há morte sem vida. […]”
 
Urban Life_Não posso. Razões de uma escrita urbana  |  António Barros
Urban Life_Não posso” resolve-se na experienciação dos modos de uma arte em espaço público, gerada numa relação direta com o que convocam os sistemas culturais contemporâneos, locais e urbanos. Esta operação culmina na edição de uma Unidade Educativa , objeto_modular resultante do diálogo com os princípios e processos testados em três territorialidades diferenciadas: (1) Exploração da consciência conceptual e performativa da condição de cidade_livro, ilustrada em: “Sons da Cidade”, Coimbra, com a escultura social “Se vão da lei”; e “Esclaves” no Mémorial de l’abolition de l’esclavage, Nantes; (2) Ação com a Fundação AMI, unidade da cidade do Porto: no programa de Arte Urbana da AMIarte, a versão da peça artística é editada em mupi e leiloada para angariação de verbas para custear refeições para a população urbana sem abrigo; (3) Num levantamento de situações onde a mulher ainda hoje é violentada em diferentes geografias do mundo, “Urban Life_Não posso” ganha o modo de instalação, onde cada um dos 12 textos se insinua na denúncia e na defesa dos direitos humanos. […]”
 
ENSAIOS| ESSAYS
Nas margens. Periferalidades nas áreas de risco | Sara Bonati (Università degli Studi di Firenze, UMa-CIERL) [24.08.2020] 

Procurar-se-á discutir o que pode ser chamado periferalidade na gestão de riscos de desastres, conceito distinto do conceito geográfico de “periferias”, já que este se refere a áreas à margem ou longe do centro geográfico de um território, e que, portanto, são definidas por sua dimensão física e espacial. Periferalidade, conceito emprestado da palavra inglesa “peripherality”, indica a qualidade do ser periférico, mas em termos não apenas físicos, ou seja, refere-se ao status possuído por um sujeito, colocando este último no centro. O que quero fazer, então, é trazer o sujeito de volta ao centro dos processos de transformação espacial que afetam áreas do risco. Assim, periferalidade  refere a condição de marginalização no debate sobre a redução do risco em que alguns indivíduos e suas necessidades são colocados. No entanto, esses indivíduos são centrais na análise da vulnerabilidade de um território, uma vez que geralmente representam as franjas mais expostas e com reduzida capacidade de defesa e resposta. O objetivo dessa reflexão decorre da observação, feita em diversos estudos e em diferentes contextos geográficos, de que a dimensão social do risco continua a ser inadequadamente considerada, não sendo, por isso, considerada a contribuição que as disciplinas sociais podem dar às políticas de gestão e redução de riscos de desastres.

ARTIGOS |  ARTICLES
Breve Estudo Sobre a Variação Geográfica e Sociocultural de Algum Léxico Gastronómico Português  | Fátima Marília Góis de Sousa  (UMa-FAH | Mestranda) [20.08.2020] 

Resumo: O Português é a quinta língua com um maior número de falantes no mundo, sendo falada em oito países distribuídos por quatro continentes: língua nacional de Portugal e do Brasil, língua oficial de Angola, de Moçambique, de S. Tomé e Príncipe, da Guiné-Bissau, de Cabo Verde e de Timor Leste (MATEUS, 2008). Tendo em conta esta realidade, nesta breve investigação iremos analisar qualitativamente a variação geográfica e sociocultural de algum léxico gastronómico português. Através de uma pesquisa feita por meio de um inquérito, pretendemos verificar se existem semelhanças, ou não, relativamente ao léxico gastronómico usado na ilha da Madeira e em outros pontos geográficos e socioculturais, onde a Língua Portuguesa é falada.

Palavras-chave: Variação geográfica e sociocultural; Léxico gastronómico Português; Português Europeu (PE); Português do Brasil (PB); Português Africano (PA).

Subsídios para o estudo do vocábulo “moganga(o)”. Entre variantes, polissemias e sinonímia Alexandra José Cabral Sá Nunes  (UMa-FAH | Mestranda) [16.08.2020]
Resumo: Nesta pesquisa, procuramos apresentar a origem etimológica e o(s) significado(s) padronizado(s) da palavra “moganga” e das respetivas variantes “mogango”/“muganga(o)”/“munganga(o)”, “boganga(o)”/“buganga(o)”, “moranga(o)”, assim como dos seus sinónimos, tais como “abóbora-menina”,“abóbora-porqueira”, “melancia-de-porco”, “abóbora-chila”, “chila”, “chila-caiota”, “abóbora-da-Guiné”, “tenerifa”/“tanerifa”/ “tanarifa” e “abóbora-moira”, evidenciando as principais aceções, os diversos usos e as diferenças na distribuição geográfica. Tendo como base verbetes e descrições apresentados em dicionários, em vocabulários, em glossários, em artigos e em teses, realiza-se a sistematização e a análise das informações dispersas. Os dados apontam para uma distinção na significação do vocábulo “boganga(o)”, nos vocabulários e nos glossários da RAM (Região Autónoma da Madeira), designando uma diferente espécie cucurbitácea: cucurbita ficifolia, ao contrário de uma unanimidade na apresentação da espécie cucurbita pepo nos verbetes de “moganga” em Portugal, nos Açores e no Brasil, caso equiparável a “semilha” (batata) e “batata” (batata-doce). Para confirmar que se trata de um verdadeiro regionalismo e para testar a sua vitalidade junto das camadas mais jovens, em estudos futuros, deve proceder-se a um inquérito em todos os territórios da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) e nas Canárias.

Palavras-chave:  Dialeto Madeirense; Variação linguística não-standard; Variedade de Português Falado na Madeira; Regionalismos; Variantes lexicais; “moganga(o)”; Portugal; CPLP.

OLHARES CRUZADOS CROSSED VIEWS  _  FUNCHAL  JAZZ  FESTIVAL
 

 FUNCHAL  JAZZ  FESTIVAL. Entrevista a Paulo Barbosa conduzida por José Dias  [06.09.2020]

Um festival de jazz nunca é apenas um festival de jazz. É, entre muitas coisas, uma celebração coletiva do fazer-se, ouvir-se e ver-se música acontecer de improviso num mesmo espaço e num mesmo momento que, por ser improvisado, todos sabemos, é irrepetível. Ao mesmo tempo, é a concretização em programação e evento do ideal daquilo que os seus programadores pensam que o próprio jazz deve ser. O Funchal Jazz distingue-se em diversos aspetos da muita e crescente oferta de festivais de jazz em Portugal. Enquanto que na maior parte dos casos os festivais nacionais se vão aproximando cada vez mais de estéticas alternativas e duma conceção europeia de festival, o Funchal Jazz tem centrado a sua programação em grandes estrelas do jazz norte-americano. Num momento em que se lamenta o quão escasso parece ser o star system do jazz, o Funchal Jazz não só reclama e recupera esse papel fundamental, como está ainda aberto a uma programação alternativa que expanda a oferta de jazz na Madeira, tanto para públicos, como para futuros músicos. Paulo Barbosa tem uma visão muito concreta do tipo de festival jazz que dirige e quer dirigir. Nesta conversa, reflete sobre os seis anos da experiência de dirigir o festival artisticamente e aponta caminhos que quer traçar no futuro do jazz na Madeira.

DIÁLOGOS | DIALOGUES
“Pensar é estar doente dos olhos”?!… ou como uma narrativa gráfica nos faz (re)ver a polis contemporânea, os livros e o próprio género BD. Entrevista a  Samuel Jarimba e Filipe Olival 
Em 2017, Samuel Jarimba e Filipe Olival iniciam um projeto de narrativa gráfica que ironicamente toma por título um verso de Alberto Caeiro: “Pensar é estar doente dos olhos”. Nesta entrevista, falam-nos do que é este ‘livro de banda desenhada’, como nasceu o projeto e quais os desafios e as inquietações que com ele querem abordar… “A história que vos queremos apresentar” – declaram Samuel Jarimba e Filipe Olival na sinopse de Pensar é estar doente dos olhos – “surge como resposta ao excesso de informação a que atualmente temos acesso e que, na nossa perspetiva, tem o potencial de enfraquecer, banalizar e esterilizar as vozes dissidentes que, no passado seriam silenciadas por recurso à repressão. A nossa estratégia assentou em recriar uma sociedade em que, ao contrário da nossa, o acesso a ideias alternativas é feito por meios ilícitos, o que acaba por resultar numa valorização clandestina dos seus veículos: os livros. Trazer para o universo da literatura gráfica uma história não baseada em seres sobrenaturais mas em pessoas tão humanas como nós […] parece-nos mais relevante do que nunca […]”
 
SUGESTÕES DE LEITURA |  BOOK REVIEWS

José Dias (2019) [ISBN: 9781501346583]

João de Melo (2020) [ISBN:  9789722070478]

Ana Teresa Pereira (2020) [ISBN: 9789896419875]

por Teresa Lacerda 

aqui [24.08.2020]

por Ana Salgueiro

aqui (em breve)

por Xavier Miguel

aqui  [05.08.2020]